Alguém apareceu com uma proposta para comprar o seu restaurante, ou você começou a pensar em vender, e você quer saber quanto vale um restaurante que fatura 50 mil?
Pois saiba que dois restaurantes com exatamente esse faturamento podem valer valores bem distantes um do outro, e quem entende de compra e venda no setor olha primeiro para outra coisa.
Antes de aceitar ou recusar qualquer oferta, vale entender de onde o valor realmente vem.
Afinal, quanto vale um restaurante que fatura R$ 50 mil por mês?
Não existe um valor fixo amarrado ao faturamento.
O que define o preço de um restaurante é quanto sobra de lucro depois de pagar todas as contas, não o quanto entra no caixa.
Um restaurante que fatura 50 mil por mês movimenta cerca de R$ 600 mil por ano.
Mas o comprador não está pagando por esse movimento, mas sim pela capacidade do negócio de gerar lucro mês após mês.
Na faixa dos pequenos e médios restaurantes, o preço de venda costuma sair de um múltiplo do lucro anual, em geral entre 2 e 4 vezes o que o negócio gera de resultado por ano, somado ao valor dos equipamentos e do ponto.
Com uma margem saudável, perto de 20%, esse restaurante gera algo como R$ 120 mil de lucro por ano.
A faixa de venda, nesse caso, costuma ficar entre R$ 240 mil e R$ 480 mil, dependendo do ponto, da estrutura e da reputação.
Com margem apertada, de 5% ou menos, o mesmo faturamento de 50 mil derruba o valor para bem perto do preço dos equipamentos usados.
Por que o faturamento não define sozinho o valor de um restaurante?
A regra popular de multiplicar o faturamento por um número fixo distorce a conta porque ignora o custo de operar.
Faturar 50 mil diz pouco sobre o negócio.
Esse mesmo valor pode esconder um restaurante que paga aluguel caro, tem folha pesada, desperdiça insumo e mal cobre as próprias contas.
Pode também esconder um negócio enxuto, com ficha técnica controlada e margem confortável.
Faturamento alto com margem espremida vale menos que um faturamento menor com lucro consistente.
Quando alguém te oferece “quatro vezes o faturamento”, desconfie da direção da conta.
Esse atalho costuma inflar o preço de quem fatura muito e perde dinheiro, e penalizar quem fatura menos e lucra bem.
Como o lucro muda o valor de venda de um restaurante?
O lucro é o coração da avaliação. O que o comprador enxerga é a sobra que o restaurante gera depois de pagar fornecedor, equipe, aluguel, impostos e despesas do dia a dia.
No mundo do valuation, essa sobra operacional tem nome técnico, o EBITDA, que nada mais é do que o lucro que a operação produz antes de descontar juros e impostos sobre o resultado.
Veja como a margem muda tudo em cima dos mesmos 50 mil de faturamento mensal:
- Margem de 10%: sobram R$ 5 mil por mês, cerca de R$ 60 mil por ano. A venda tende a ficar na casa de R$ 120 mil a R$ 240 mil;
- Margem de 20%: sobram R$ 10 mil por mês, R$ 120 mil por ano. A faixa de venda sobe para R$ 240 mil a R$ 480 mil;
- Margem de 30%: sobram R$ 15 mil por mês, R$ 180 mil por ano. O valor chega à casa de R$ 360 mil a R$ 720 mil.
O mesmo faturamento, três restaurantes, três valores muito diferentes. Quanto maior e mais comprovada a margem, maior o múltiplo que o comprador aceita pagar.
Quais métodos são usados para calcular quanto vale um restaurante?
Três caminhos são usados no mercado para chegar ao valor de um restaurante, e o número final costuma combinar mais de um:
- Projeção do lucro futuro (fluxo de caixa descontado): estima quanto o restaurante vai gerar de resultado nos próximos anos e traz esse valor para hoje, descontando o risco do negócio. É o método mais completo e o preferido de quem compra para operar no longo prazo;
- Comparação de mercado (avaliação por múltiplos): o valor sai da comparação com vendas recentes de restaurantes parecidos, aplicando o múltiplo de 2 a 4 vezes o lucro anual sobre o resultado do seu negócio;
- Soma dos bens (valor dos ativos): conta a cozinha, os móveis, os equipamentos, o estoque e as benfeitorias do imóvel. Funciona como piso da negociação, principalmente quando o restaurante lucra pouco e o comprador está interessado mais na estrutura e no ponto do que na operação.
O que entra no valor de um restaurante além do faturamento?
Boa parte do valor de um restaurante está em coisas que não aparecem no extrato bancário.
Na hora de avaliar, entram na conta:
- O ponto comercial, com o fluxo de pessoas, a visibilidade e o contrato de aluguel que vem junto;
- Os equipamentos e a estrutura, da cozinha industrial ao mobiliário do salão, avaliados pelo valor de mercado de uso;
- A marca e a reputação, medidas pela nota nos aplicativos, pelo tempo de casa e pelo reconhecimento na região;
- A base de clientes e o delivery, com o histórico de pedidos recorrentes e a presença nas plataformas;
- Os contratos e a equipe formada, porque um restaurante com time treinado e fornecedores fechados poupa o comprador de começar do zero.
Esses pontos explicam por que um restaurante bem montado, com nome conhecido no bairro, vale mais que outro do mesmo tamanho e faturamento que abriu mês passado.
O valor de venda de um restaurante inclui as dívidas do negócio?
As dívidas entram na conta e puxam o valor para baixo.
Quando o comprador assume o restaurante, ele precisa saber o que vem junto: parcelamento de imposto, empréstimo de equipamento, conta atrasada com fornecedor e processo trabalhista em andamento.
O valor que se calcula pelo lucro e pelos bens é o ponto de partida. De cima dele, o comprador desconta tudo o que o negócio deve.
Um restaurante avaliado em R$ 300 mil com R$ 80 mil de dívidas vale, na prática, R$ 220 mil para quem compra.
Os equipamentos do restaurante entram no valor da venda?
Os equipamentos são uma das partes que mais pesam no preço.
A cozinha industrial, os móveis e a estrutura do salão entram na conta avaliados pelo valor de mercado de uso, não pelo preço de quando foram comprados.
Junto deles entram os itens de estoque que têm valor de revenda.
Bebidas, insumos não perecíveis e produtos de revenda são contados pelo custo de reposição na data da venda.
A prática comum é avaliar o restaurante pela operação e pelos equipamentos, e fazer um inventário desses itens no dia do fechamento para somar à parte.
Como o contrato de aluguel do imóvel afeta o valor de venda do restaurante?
O contrato de aluguel é um dos itens que mais mexem no valor, porque o ponto é parte central de um restaurante.
Um contrato longo, com aluguel compatível com o faturamento e cláusula de transferência tranquila, valoriza o negócio.
O oposto derruba o preço. Contrato perto do fim, sem garantia de renovação, ou com aluguel acima do que a região pratica, transfere risco para o comprador.
Ninguém paga caro por um ponto que pode perder em seis meses.
O peso do aluguel sobre o faturamento também conta. Aluguel que consome mais de 10% a 12% do que entra aperta a margem e reduz o lucro que sustenta o valor da venda.
Como a contabilidade organizada aumenta o valor do restaurante na hora de vender?
Um restaurante vale mais quando consegue provar quanto lucra. O comprador paga pela segurança do número, e essa segurança vem da contabilidade.
Quando o resultado está registrado, com receita, custo e despesa lançados mês a mês, o lucro deixa de ser uma estimativa que você defende de boca e vira um dado que o comprador confere.
Esse é o lucro que sustenta o múltiplo de 2 a 4 vezes na hora da venda.
Como a Asbem ajuda o seu restaurante a chegar mais valorizado na hora de vender
A Asbem é um escritório de contabilidade especializado em restaurantes.
Conhecemos a rotina do setor por dentro, do peso da folha à sazonalidade, da separação entre serviço e mercadoria ao impacto do delivery sobre a margem.
Cuidamos da organização que faz o seu restaurante valer mais na venda.
Estruturamos o registro do resultado para que o lucro seja comprovável, mantemos a situação fiscal e trabalhista limpa, e enquadramos o negócio no regime tributário que aumenta a margem e, com ela, o valor final.
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