Agências de Viagem e Turismo

Qual é a margem de lucro de uma empresa de viagens e como calcular

A margem de lucro de uma empresa de viagens é um dos indicadores mais mal interpretados do setor. 

É comum ver situações em que a agência movimenta volumes altos de dinheiro, mas no final do mês sobra pouco. 

O problema, na maioria dos casos, é que a margem está sendo calculada sobre o valor errado.

A Asbem é uma Contabilidade especializada em agências de viagens e vamos explicar qual é a margem que você deve perseguir e como calcular esse valor corretamente.

Qual é a margem de lucro de uma empresa de viagens no Brasil?

Antes de responder essa pergunta, é preciso desfazer um equívoco. A margem de lucro de uma agência não é calculada sobre o valor total que o cliente paga. 

Quando um cliente desembolsa R$ 10 mil por um pacote, esse dinheiro não é receita da sua empresa. 

A maior parte vai direto para hotéis, companhias aéreas e operadoras. 

A receita real da agência é apenas a comissão ou o valor que ela agrega sobre o custo dos fornecedores, que tipicamente representa entre 10% e 15% do volume total vendido.

As principais fontes de receita de uma agência e o que cada uma rende na prática:

  • Pacotes e hospedagem: comissão média entre 10% e 20% sobre o valor do serviço, conforme o acordo com operadoras e hotéis;
  • Passagens aéreas nacionais: as companhias brasileiras zeraram as comissões em 2008 e criaram a taxa DU, cobrada do cliente, processada pela aérea e repassada à agência, com mínimo de R$ 40 por bilhete. Agências muito dependentes de aéreo nacional trabalham com margem por transação muito baixa
  • Passagens internacionais: agências com credenciamento IATA emitem diretamente e capturam margem de até 10% sobre a tarifa. Sem IATA, a agência compra via consolidadora e recebe metade disso. Numa passagem de R$ 2.800, a diferença é de R$ 560 contra R$ 280
  • Seguro viagem: um dos produtos com maior comissão do portfólio, podendo chegar entre 20% e 30% sobre o prêmio
  • Fee de serviço: taxa administrativa cobrada diretamente do cliente, especialmente no corporativo. Compensa a queda das comissões de aéreo e aumenta a previsibilidade da receita mensal

É sobre essa receita de serviços, e não sobre o volume total que passa pelo caixa, que se calcula a margem de lucro. 

Descontados os custos fixos, variáveis e a carga tributária, a margem líquida de uma agência bem gerida fica na faixa de 10% a 20%.

O que move esse número para cima ou para baixo no cenário brasileiro:

  • Modelo físico vs. digital. Uma agência com loja física carrega aluguel, IPTU e equipe maior. Agências digitais ou home office operam com estrutura enxuta e conseguem margens mais próximas do teto da faixa.
  • Credenciamento IATA. Sem IATA, a agência paga TASF à consolidadora e divide a margem em cada emissão internacional. Com IATA, capta o dobro por bilhete.
  • Nicho e ticket médio. Agências especializadas em luxo, lua de mel, cruzeiros ou turismo corporativo trabalham com pacotes de maior valor unitário. Os custos fixos se diluem sobre mais receita por venda.
  • Dependência de aéreo avulso. Vender majoritariamente passagens nacionais avulsas gera receita muito baixa por transação. Quem empacota hospedagem, seguro e transfer na mesma venda multiplica a comissão sem multiplicar o esforço operacional.

Ou seja, a pergunta “qual é a margem da minha agência” só tem uma resposta útil quando feita sobre os números reais da operação, e não sobre o volume que passa pelo caixa.

Leia mais: Como funciona a lei da nota fiscal para agências de viagem

O que entra no cálculo da margem de lucro de uma empresa de turismo?

A base do cálculo é a receita de serviços: comissões recebidas de operadoras, hotéis e fornecedores, mais as taxas de serviço cobradas diretamente do cliente. 

O valor total do pacote não entra.

Sobre essa receita, os custos que precisam ser mapeados são:

  • Custos fixos mensais: aluguel, folha de pagamento, sistemas de gestão, contabilidade, telefone e internet;
  • Custos variáveis: comissões pagas aos vendedores, taxas de cartão de crédito, TASF quando a agência compra via consolidadora;
  • Encargos tributários: ISS, e os demais tributos para agência de turismo dentro do regime escolhido.

Como calcular a margem de lucro de uma agência de viagens na prática?

A fórmula é simples: Margem = (Lucro Líquido ÷ Receita de Serviços) × 100.

O ponto de partida é sempre a receita de serviços, ou seja, a comissão ou taxa de serviço que ficou com a agência.

Considere uma agência digital bem posicionada, dono operando sozinho, que vendeu R$ 130 mil em pacotes no mês. Com comissão média de 10%, a receita de serviços é de R$ 13 mil.

Os custos mensais dessa operação:

ItemValor
Tributos no Simples NacionalR$ 780
Contabilidade R$ 500
Sistema de gestãoR$ 100
Marketing digitalR$ 1.500
Internet e telefoneR$ 250
Energia elétricaR$ 150
Certificado digital e-CNPJ (rateio anual)R$ 20
Plataforma de pagamento e taxas bancáriasR$ 200
Assinaturas diversasR$ 100
Total de custosR$ 3.600

Lucro líquido: R$ 9.400

Margem = (9.400 ÷ 13.000) × 100 = 72%

Dois pontos importantes sobre esse resultado. 

Primeiro: a alíquota efetiva do Simples não é fixa em 6%. Com R$ 130 mil de faturamento bruto por mês, o acumulado em 12 meses seria de R$ 1.560.000, que cai na quinta faixa do Anexo III. 

Mas a base de cálculo do Simples para agências é a receita de serviços, não o faturamento bruto. 

Com R$ 13 mil de receita de serviços por mês e R$ 156 mil acumulados no ano, a agência está na segunda faixa, com alíquota efetiva próxima de 6%. 

O cálculo exato precisa ser feito pela contabilidade com os dados reais da operação.

Segundo: a margem de 72% sobre a receita de serviços é expressiva justamente porque o modelo digital não tem aluguel nem folha de pagamento. 

Esse é o potencial real de uma agência digital enxuta e bem gerida. 

Conforme você vai crescendo, naturalmente a margem de lucro vai ser menor, e isso é natural em qualquer negócio.

Como a tributação afeta a margem de lucro de uma agência de turismo?

A tributação de uma agência de viagens tem uma particularidade que a maioria dos donos do setor não domina: o imposto incide sobre a receita da agência, que normalmente corresponde à comissão ou taxa de serviço, e não sobre o valor total do pacote vendido.

Agências que emitem nota sobre o valor cheio da venda, sem estruturar corretamente a operação como intermediação, acabam pagando imposto sobre dinheiro que não é delas.

Nesses casos, a base de cálculo pode acabar sendo considerada sobre o valor total da operação, o que impacta diretamente a margem.

Com a reforma tributária e a tendência de padronização nacional, parte dessas diferenças tende a diminuir. 

Ainda assim, a distinção entre intermediação e revenda continua sendo determinante para definir a base de cálculo.

Para agências que vendem pacotes internacionais, há um segundo fator tributário que afeta a margem diretamente: o IRRF sobre remessas ao exterior.

Quando a agência realiza pagamentos a hotéis, operadoras e outros fornecedores estrangeiros, pode haver incidência desse imposto, dependendo da natureza da operação e do enquadramento fiscal.

Esse custo entra diretamente na formação do preço.

Ele reduz a margem da agência ou exige repasse ao cliente, o que pode afetar a competitividade.

Uma contabilidade especializada em turismo atua em dois pontos concretos aqui:

  • Garante que a base de cálculo dos tributos está correta, evitando pagamento indevido sobre valores repassados a fornecedores
  • Monitora o impacto dos tributos nas operações internacionais para ajustar a precificação com mais precisão

Leia mais: Agência de turismo é obrigada a emitir nota fiscal?

Qual regime tributário é mais vantajoso para uma agência de viagens?

Na grande maioria dos casos, o Simples Nacional Nacional para agências de viagens é o regime mais vantajoso.

As agências de turismo que atuam como intermediadoras se enquadram no Anexo III, com alíquota efetiva que começa em 6% para faturamentos de até R$ 180 mil anuais. 

A alíquota sobe conforme o faturamento cresce, mas o resultado costuma ser vantajoso até próximo de R$ 1 milhão por ano.

Como a reforma tributária pode impactar a margem de lucro da agência de viagens?

Dois pontos merecem atenção na reforma tributária para agências de turismo:

1) Crédito tributário no B2B

Com a reforma, as empresas que contratam serviços de agências poderão aproveitar o crédito de IBS e CBS na nota. 

Para agências que atendem empresas, isso pode se tornar um diferencial competitivo concreto. 

Mas esse crédito só existe se a agência recolher IBS e CBS de forma destacada, o que não acontece no Simples Nacional tradicional. 

O Simples híbrido, criado pela reforma, resolve esse ponto: a empresa continua no Simples, mas destaca os novos tributos na nota para que o cliente corporativo possa aproveitá-los.

2) Split payment a partir de 2027

O imposto será retido automaticamente no momento do pagamento e repassado direto ao fisco. 

Isso elimina o intervalo entre receber e recolher, o que muda o planejamento de fluxo de caixa da agência.

Como o dólar afeta a margem de lucro em pacotes internacionais?

Nos pacotes internacionais, os custos com fornecedores são cotados em moeda estrangeira. 

Quando o dólar sobe entre a venda e o pagamento ao fornecedor, a margem encolhe, às vezes até negativando a operação.

O problema mais comum é a agência fechar o preço do pacote com uma cotação e precisar pagar o fornecedor semanas depois com o câmbio mais alto. 

Sem proteção, a diferença vem diretamente da margem.

Algumas práticas que reduzem esse risco:

  • Precificar o pacote sempre com a cotação do dia da confirmação, não da cotação no momento do orçamento;
  • Incluir uma margem cambial explícita na formação do preço dos pacotes internacionais;
  • Separar claramente, na formação do preço, o que é custo em real e o que é custo em moeda estrangeira;
  • Em vendas com prazo longo entre a confirmação e a viagem, usar contratos com cláusula de reajuste cambial.

Por que minha agência de viagem vende muito, mas a margem continua apertada?

Esse é um dos problemas mais comuns no setor, e quase sempre tem a mesma origem.

  • Calcular margem sobre o volume total, não sobre a receita de serviços: A agência olha para o faturamento bruto e acha que está indo bem. Mas a receita real é uma fração pequena desse número.
  • Dependência excessiva de passagens avulsas: A taxa DU de um bilhete nacional pode ser R$ 40 ou R$ 50. Para gerar R$ 5.000 de receita de serviços num mês vendendo só passagens, a agência precisa emitir mais de 100 bilhetes. 
  • Ausência de fee de serviço: Muitas agências ainda não cobram taxa administrativa, entregando o trabalho de consultoria, montagem de roteiro e atendimento de graça, esperando só a comissão do fornecedor.
  • Custos fixos não rateados por produto: A agência sabe quanto paga de aluguel e folha no mês, mas não sabe quanto cada venda custa para ser operada. Sem esse número, é impossível saber se uma venda está gerando lucro ou prejuízo.
  • Clientes que consomem tempo desproporcional à comissão: Cotações longas, muitas alterações, pacotes de baixo valor. O custo operacional do atendimento corrói a margem sem aparecer no resultado.

Leia mais: Como abrir CNPJ para agência de turismo

Como aumentar a margem de lucro de uma empresa de viagens sem vender mais?

Vender mais resolve faturamento. Mas o que aumenta a margem é a combinação entre receita por venda e controle de custos.

  • Implantar ou revisar o fee de serviço: A consultoria, o roteiro e o atendimento têm valor. Cobrar por isso diretamente do cliente reduz a dependência das comissões de fornecedores e aumenta a previsibilidade da receita.
  • Upselling de serviços complementares: Seguro viagem, transfer, passeios e upgrades de hospedagem têm comissões mais altas do que a venda principal. Cada item agregado ao pacote aumenta a receita sem aumentar o custo de aquisição do cliente.
  • Buscar o credenciamento IATA: Para quem vende passagens internacionais com frequência, a diferença é de 100% na margem por bilhete. O investimento no credenciamento se paga rapidamente em volume.
  • Especializar em nicho: Uma agência que atende todo tipo de cliente dilui esforço e receita. Quem escolhe um segmento, como lua de mel, viagens corporativas ou turismo de aventura, consegue precificar melhor, fechar pacotes maiores e reduzir o custo por atendimento.
  • Reduzir custos fixos com modelo digital: Operar sem loja física ou com estrutura híbrida reduz diretamente o ponto de equilíbrio da agência.
  • Ter endereço num município que pague menos ISS: Caso sua agência esteja pagando 5% de ISS, pode ter um endereço fiscal em um município que cobre 2% de ISS.

Como a Asbem ajuda a calcular e aumentar a margem de lucro de agências de viagem

A Asbem é uma Contabilidade especializada em agências de turismo

Isso significa que entendemos na prática como funciona o fluxo de comissionamento, os repasses para fornecedores e as particularidades fiscais do setor.

De modo geral, ajudamos a agência a:

  • Identificar se o ISS está sendo calculado sobre a base correta;
  • Enquadrar corretamente no Simples Nacional e monitorar o Anexo de forma contínua;
  • Estruturar o endereço fiscal para garantir a menor alíquota de ISS disponível;
  • Calcular o ponto de equilíbrio real da operação;
  • Preparar a agência para a reforma tributária, incluindo a avaliação do Simples híbrido para quem atende empresas.

Se você quer entender quanto sua agência pode ganhar com uma estrutura contábil especializada, fale com um especialista da Asbem.

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Max Asbem

Max Asbem (CRC GO-026778/O-3) é contador e empresário com mais de 10 anos de experiência. É gestor da Asbem Estratégia Contábil. Focado em redução de impostos, regularização e gestão com dados, Max une disciplina pessoal, rotina estruturada e visão prática para orientar empresários a tomarem decisões seguras, lucrativas e sustentáveis.
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